Efeitos quânticos

A mecânica quântica não é uma teoria distante — ela se manifesta em experiências cujos resultados contrariam toda intuição cotidiana e, mesmo assim, são exatamente reprodutíveis. Quatro efeitos que marcam os limites do imaginável.

A experiência da dupla fenda

Sem observação
Com observação
Fonte Dupla fenda Anteparo Ondas das duas fendas se sobrepõem → padrão de interferência Fonte Dupla fenda Detector Anteparo A medição força uma decisão → apenas dois blocos, sem padrão

Ao enviar elétrons ou fótons individuais, um a um, através de duas fendas estreitas e paralelas, forma-se no anteparo atrás delas — partícula por partícula — um padrão de faixas claras e escuras. Exatamente o padrão que se esperaria se ondas passassem pelas duas fendas ao mesmo tempo e se reforçassem ou se anulassem mutuamente. Cada partícula parece, portanto, passar "pelas duas fendas ao mesmo tempo".

Mas, ao instalar um detector que mede por qual fenda a partícula realmente passa, o padrão de interferência desaparece imediatamente — restam apenas dois blocos simples, exatamente onde se esperaria encontrar partículas. É a mera medição — e não uma perturbação física — que decide se a partícula se comporta como onda ou como partícula. A experiência da dupla fenda com elétrons foi realizada pela primeira vez em 1961 por Claus Jönsson; que o padrão se forma efetivamente partícula a partícula foi demonstrado mais tarde por Pier Giorgio Merli, Gian Franco Missiroli e Giulio Pozzi (1974–76), e de forma marcante por Akira Tonomura e colegas (1989). A experiência é considerada o experimento central da mecânica quântica: Richard Feynman chamou-lhe "o único mistério".

O efeito túnel

Expectativa clássica
Efeito túnel
Barreira de energia Partícula Energia insuficiente → a partícula é rebatida pela barreira Barreira de energia Partícula (prob. > 0) A função de onda se estende pela barreira — e continua além dela

Segundo a física clássica: se a energia de uma partícula não é suficiente para vencer uma barreira de potencial, ela inevitavelmente é rebatida — assim como uma bola que rola contra uma parede sem impulso suficiente para o morro atrás dela. Na mecânica quântica, porém, uma partícula não é uma esfera com posição definida, mas uma função de onda com uma certa extensão. Essa função de onda se estende também pela barreira e — com amplitude decrescente, mas nunca nula — até mesmo através dela.

O resultado: uma partícula pode aparecer, com determinada probabilidade, do outro lado de uma barreira, mesmo que, segundo o cálculo clássico, jamais devesse "conseguir" fazê-lo. O efeito túnel não é um fenômeno exótico e marginal — é a base do microscópio de tunelamento, que torna átomos individuais visíveis, impulsiona o decaimento radioativo alfa e possibilita a fusão nuclear no Sol: sem o efeito túnel, os núcleos de hidrogênio ali estariam simplesmente frios demais para se fundir.

Emaranhamento quântico

Partículas independentes
Partículas emaranhadas
? ? Partícula A Partícula B Independentes: cada resultado de medição é aleatório por si só emaranhadas Partícula A ↑ Partícula B ↓ A medição em A determina B instantaneamente — independente da distância

Duas partículas podem ser preparadas em um estado quântico conjunto, no qual suas propriedades ficam indissociavelmente ligadas — dizemos que estão emaranhadas. Antes de qualquer medição, nenhuma das duas partículas tem um estado definido: somente o ato de medir uma delas "decide" o resultado — e, no mesmo instante, o resultado da partícula parceira também fica determinado, e de forma exatamente correlacionada, não importa quão distantes as duas partículas estejam uma da outra.

Albert Einstein chamou esse comportamento, com ironia, de "ação fantasmagórica à distância" e estava convencido de que deveria haver variáveis ocultas, já determinadas de antemão, que o explicassem. John Bell mostrou matematicamente, em 1964, como essa ideia poderia ser testada experimentalmente — e experimentos desde os anos 1980 (entre eles um agraciado com o Prêmio Nobel de Física de 2022) confirmaram, de forma unânime, a mecânica quântica: não existem variáveis ocultas. É importante notar que o emaranhamento não permite transmitir informação mais rápido que a luz — o resultado de uma única medição permanece aleatório; apenas a correlação entre os dois resultados é real.

Teleporte quântico

Cópia clássica
Teleporte quântico
Original A Copiar? "Cópia" B Teorema da não-clonagem: cópias exatas são impossíveis A — estado medido, destruído Emaranhamento + valor medido B — novo estado O estado "desaparece" em A e "surge" em B — a matéria permanece, só a informação viaja

O nome remete a Star Trek, mas o teleporte quântico não transporta matéria alguma — ele transfere um estado quântico exato de uma partícula para outra, destruindo o estado original no processo. O procedimento usa um par de partículas já emaranhadas: no local A, o estado a ser transmitido é medido em conjunto com uma metade do par emaranhado. O resultado dessa medição é transmitido — de forma clássica, portanto não mais rápido que a luz — até o local B. Ao chegar lá, esse resultado permite transformar a segunda metade do par emaranhado exatamente no estado original.

O ponto decisivo é o teorema da não-clonagem: um estado quântico desconhecido não pode, em princípio, ser copiado sem destruir o original — bem diferente de um documento do Word ou de uma foto. O teleporte contorna essa proibição deslocando o estado em vez de duplicá-lo. Em 2017, o satélite chinês Micius conseguiu teleportar fótons emaranhados entre a Terra e a órbita — a uma distância de 1.400 quilômetros. Na prática, o procedimento tem importância sobretudo para computadores quânticos e para a comunicação quântica à prova de escutas, não para o transporte de matéria ou de seres vivos.

← O Modelo Padrão Teoria quântica de campos Todos os temas